‘O Roubo da Taça’ se vale de fatos reais inusitados para fazer rir

 ‘O Roubo da Taça’ se vale de fatos reais inusitados para fazer rir

Quando os fatos parecem inusitados demais para serem verdadeiros, o jeito é excluir do roteiro de cinema elementos reais para evitar que o filme soe falso. Parece absurdo, mas foi mais ou menos o que aconteceu com o longa-metragem ‘O Roubo da Taça’, do diretor Caíto Ortiz, que foi apresentado ao público no 44º Festival de Cinema de Gramado.

A obra dramatiza o episódio real do roubo da taça Jules Rimet ocorrido em 1983, na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que teve seu desfecho meses depois com a prisão dos ladrões confessos, mas é tão cheia de fatos absurdos que a equipe optou por suprimir alguns deles sob pena de parecer inverossímel.

“Os fatos mais malucos são absolutamente reais, mas retiramos uma passagem em que os ladrões são soltos depois de subornar a polícia”, explicou o diretor à imprensa em coletiva no início da tarde deste domingo, 28.

Ainda assim sobram elementos surreais no longa, começando pelo argumento, que é absolutamente verdadeiro: o malandro carioca Jorge Peralta está endividado depois de perder tudo no jogo e precisa pagar ao chefão da máfia local uma quantia suficiente “para comprar um fusquinha”. Frequentador da CBF, onde representava um time de futebol, tem a ideia de roubar o que seria a réplica da taça do tricampeonato mundial da Seleção Brasileira, que era feita de ouro, para vendê-la no mercado negro.

Seguem outros absurdos, todos reais: eles conseguem levar o artefato com a maior facilidade porque, embora estivesse detrás de um vidro blindado, ele era preso à parede por pregos frágeis. Em seguida, ao assistir ao noticiário que dava conta do roubo, descobrem que não se tratava da réplica, mas da própria Jules Rimet – que era objeto de idolatria de ambos – porque a estratégia de segurança da CBF concluiu, de forma perspicaz, que colocar a réplica no cofre protegeria a taça original.

E a história só piora, quando a dupla decide vender o troféu a um contrabandista de ouro que era... argentino. “Parece uma piada pronta, mas foi assim mesmo”, observou Caíto Ortiz.

O resultado do filme é uma sequência impagável de fatos protagonizados por uma dupla de bandidos “por quem a gente torce o tempo todo”, conforme o diretor.

No papel do protagonista, Paulo Tiefenthaler, teve muita liberdade para criar o personagem. Não só de texto, mas principalmente de movimentação pois muitas das cenas foram gravadas com uma única câmera, em movimento, que seguia o ator. “Peralta é um bufão fofo e atolado”, segundo definiu Tiefenthaler.

No elenco estão ainda nomes consagrados da dramaturgia brasileira, como Taís Araujo, Milhem Cortaz, Stepan Nercessian e até o rapper Mr. Catra, que faz uma ponta no longa.

Embora tenha sido produzido em parceria com a Netflix, o filme estreia primeiro nos cinemas brasileiros, a partir do dia 8 de setembro. “Por favor, espalhem por aí que estaremos em salas de todo o Brasil”, convidou o diretor.

Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura apresentam o 44º Festival de Cinema de Gramado. Patrocínio: BNDES, Stella Artois e Petrobras, e copatrocínio do Banrisul - Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Todos pelo Rio Grande. Apoio especial: Sundance Channel e Snowland. Apoio: Caracol Chocolates, Stemac, Lojas Pompéia, More Bass, G2 Net Sul, CiaRio, O2 Produções, Canal Brasil, Revista de Cinema, RBSTV, CVC, FreeCharge e Savarauto. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine, ACCIRS, IECINE, APTC e SIAV, TVE e FM Cultura. Agência Oficial: BusTour. Ingressos: Imply. Direção Artística: Histórias Incríveis. Agente Cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento: Pró-Cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização: Gramadotur, Ministério da Cultura, Governo Federal.

Foto: Carlos Mossmann/Pressphoto

 

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