Tony Ramos: “Não escolho formato, o que quero é inquietar o público”

Tony Ramos: “Não escolho formato, o que quero é inquietar o público”

Um arsenal de câmeras apontava em sua direção e os refletores enfocavam sua figura quando Tony Ramos tomou o microfone, na coletiva de imprensa onde comentaria com jornalistas a homenagem que o 44º Festival de Cinema de Gramado lhe faz, na noite deste sábado, para avisar: “Vai ser um bate-papo bem verdadeiro. Acho muito estranho ficar nessa posição de quem se defende”.

E assim foi. Na entrevista que mais de uma hora, Tony se deixou ver na intimidade – contou como sai do set cansado e sintoniza a rádio do carro no noticiário esportivo para "esquecer o fez durante o dia"; explicou posturas profissionais que o levaram ao estrelato e refletiu sobre o gosto de ser uma celebridade – “trabalhei para ser reconhecido” –, embora prefira manter-se afastado das redes sociais.

“Tenho uma vida muito exposta. Adoro receber telefonemas dos amigos para conversar; não tenho talento para esse tic-tic-tic-tic”, brincou, referindo-se ao som do teclado dos computadores.

Provocado pelos jornalistas, se surpreendeu com algumas constatações feitas no calor do momento, como quando explicou sua relação com os personagens que interpreta – “não consigo vivenciá-los depois que tiro as roupas” – ao que concluiu ser por demasiada auto-crítica que prefere não assistir nenhuma cena de filmes ou trabalhos para televisão antes da edição final.

“É curioso isso... sou muito exigente. E talvez ver as cenas me levasse a querer repetir, mas acho melhor deixar valer a primeira emoção”, observou.

Tony também explicou porque não faz distinção entre televisão, cinema e teatro e tampouco escolhe gêneros para trabalhar. “É claro que há ritmos diferentes, mas fundamentalmente o que importa é ter uma boa história a contar. O que quero é inquietar o público e isso pode ser feito com produções sofisticadas e populares, na comédia e no drama”, acredita.

Troféu o levou a pensar sobre a trajetória

A própria escolha do Festival de Gramado em homenageá-lo provocou em Tony Ramos um momento de reflexão e revisão de sua trajetória. “Falar da gente mesmo é esquisito, mas houve um momento em que deu aquela marejada nos olhos”, admitiu.

Foi quando um de seus agentes na Globo Filmes enumerou suas realizações profissionais, argumento para que aceitasse receber a distinção. São 52 anos de atividade, mais de 20 filmes, de 30 peças de teatro e 128 personagens. “Aí me dei conta dessa trajetória sobre a qual não paro para pensar... E talvez seja melhor assim”, concluiu.

Revelou que pensar que o troféu que receberá logo mais leva o nome de Gramado e do mais antigo festival de cinema em atividade ininterrupta o arrepia. “Quando uma cidade dá seu nome a um troféu só podemos dizer obrigado. Não sei como vou me comportar essa noite, vou estar no tablado, na arena, no local por excelência do ator”, resumiu, garantindo a emoção na hora do prêmio.

Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura apresentam o 44º Festival de Cinema de Gramado. Patrocínio: BNDES, Stella Artois e Petrobras, e copatrocínio do Banrisul - Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Todos pelo Rio Grande. Apoio especial: Sundance Channel e Snowland. Apoio: Caracol Chocolates, Stemac, Lojas Pompéia, More Bass, G2 Net Sul, CiaRio, O2 Produções, Canal Brasil, Revista de Cinema, RBSTV, CVC, FreeCharge e Savarauto. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine, ACCIRS, IECINE, APTC e SIAV, TVE e FM Cultura. Agência Oficial: BusTour. Ingressos: Imply. Direção Artística: Histórias Incríveis. Agente Cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento: Pró-Cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização: Gramadotur, Ministério da Cultura, Governo Federal.

Foto: Edison Vara/Pressphoto

 

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