“Aqueles anos em dezembro” e “Deusa” fecham mostra de curtas

 “Aqueles anos em dezembro” e “Deusa” fecham mostra de curtas

Retalhos de memórias. Quase colagens de fragmentos de lembranças que, aos poucos, começaram a estruturar uma história delicada e muito pessoal do diretor, Felipe Arrojo Poroger. “Esse filme foi muito menos racional e muito mais emotivo”, disse Felipe, que narra, “Aqueles anos em dezembro”, a história de sua avó.

O curta foi exibido na sexta-feira e comentado em coletiva de imprensa da manhã deste sábado, 3,  marcando o último dia de debates desta edição do Festival de Cinema de Gramado.

Um acontecimento na vida de Felipe mudou todo o percurso da história. A morte da avó, em meio os preparativos para começarem a filmar, transformou o andamento do processo. A ideia inicial era fazer um filme de ficção, mas neste momento outras propostas para o roteiro apareceram, pedindo uma adaptação.

Nasceu então o “filme que não pôde ser feito”, como diz a sinopse da obra. “O formato documental acabou se impondo e aí os vídeos da minha família começaram a ser descobertos. A cada conversão [de VHS] surgiam, de repente, mais partes da minha história”, contou Felipe.

Para viabilizar essa nova concepção do curta-metragem, Felipe teve de ir a fundo e mergulhar na história de sua família, de seus avós, de sua origem, de si mesmo, num resgate histórico afetivo. O resultado? Um filme pessoal, desde a construção do roteiro até a montagem final. “Há escolhas no filme que simplesmente puramente intuitivas”, explicou.

Mas, segundo ele, “por mais que seja um filme emotivo, foi se expandindo além da minha avó”. “Aqueles anos em dezembro” é também sobre imigração. Sobre a metrópole. “A ideia era também mostrar essa cidade [São Paulo] que é a mesma, mas vai mudando ao longo do tempo”. E lamentou: “É triste nossa falta de preservação de memória urbana”.

Juntar as peças do seu próprio quebra-cabeça foi “arriscado”, disse Felipe. “Não tenho a pretensão de ter a totalidade dessa história. Precisava mesmo ser fragmentada. E se minha história tem pedaços escuros, teria de ter isso no filme também”, finalizou.

“Deusa” não havia sido visto nem pela diretora

Contraponto o estilo documental, mas sem livrar-se do aspecto sensível, “Deusa” é um filme sobre rupturas. Os sons inseridos na trama, inclusive, tinham a intenção de mostrar a questão da “fuga [da personagem] para o onírico”. “É um som que suscita essa sensação mais surreal”, completa a diretora, Bruna Callegari.

Uma baleia que aparece no curta de Bruna causou diferentes impressões – e nem ela mesma consegue ao certo definir o que o animal representa. “Eu não sei muito bem o que essa baleia ecoa. Pensei até mesmo em eliminar a cena”, admitiu.

Ao que o crítico Luiz Carlos Merten, rebateu prontamente: “Não! Por favor!”.

A exibição em Gramado foi a primeira vez que a equipe assistiu ao curta “na telona”. “Estamos só agora digerindo o filme, nos desprendendo dessa parte técnica”, admite a diretora.

O filme russo “Leviatán”, de Andrey Zvyagintsev, foi a principal referência de Bruna para conceber “Deusa”. “Foi referência porque é também um filme sobre passagem”, explica.

A dificuldade de encontrar locação adequada, após terem sido rejeitados por mais de 20 concessionárias para gravarem nos pedágios, foi grande. Mas, após tantas tentativas, encontrar o local onde foi gravado, acabou engrandecendo o projeto, conforme contou Bruna. Além disso, outro elemento essencial para viabilizar com mais precisão o projeto, foi a própria atriz, Fernanda Chicolet, que “ajudou muito a construir o personagem”.

Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto 

Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura apresentam o 44º Festival de Cinema de Gramado. Patrocínio: BNDES, Stella Artois e Petrobras, e copatrocínio do Banrisul - Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Todos pelo Rio Grande. Apoio especial: Sundance Channel e Snowland. Apoio: Caracol Chocolates, Stemac, Lojas Pompéia, More Bass, G2 Net Sul, CiaRio, O2 Produções, Canal Brasil, Revista de Cinema, RBSTV, CVC, FreeCharge e Savarauto. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine, ACCIRS, IECINE, APTC e SIAV, TVE e FM Cultura. Agência Oficial: BusTour. Ingressos: Imply. Direção Artística: Histórias Incríveis. Agente Cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento: Pró-Cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização: Gramadotur, Ministério da Cultura, Governo Federal.

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