Cecilia Roth: “Esta homenagem significa um longo caminho percorrido”

Cecilia Roth: “Esta homenagem significa um longo caminho percorrido”

Protagonista de filmes que marcaram a história do cinema internacional e acostumada aos holofotes, a atriz argentina Cecilia Roth não conteve a emoção ao receber o Kikito de Cristal neste 44º Festival de Cinema de Gramado.

Embargou a voz e reconheceu: “Me perguntava há pouco o que diria neste palco; se conseguiria dizer alguma coisa. Porque uma homenagem como esta significa um longo caminho percorrido e, além disso, um caminho que teve um sentido”.

Em seu desfile pelo tapete vermelho, ela recebeu o carinho de fãs que, mesmo de longe, puderam fotografá-la e declarar sua admiração. No palco, viu o depoimento em vídeo dos diretores de cinema Jean Pierre Noer e Martin Sastre, que a felicitaram pela homenagem recebida.

“Isto é lindo, é uma enorme emoção”, agradeceu, ao receber o troféu do ator uruguaio César Troncoso, com quem contracena na série Supermax, a primeira produção em espanhol da TV Globo, dirigida pelo argentino Daniel Burmann.

O Kikito de Cristal é entregue, anualmente, a personalidades do cinema latino-americano. É a 12ª vez que o troféu é entregue, mas em 2016, de forma inédita, foi parar nas mãos de uma mulher. Cecilia Roth não perdeu a oportunidade e, com bom humor, cobrou que as próximas edições equilibrem essa balança com destaques femininos: “Agora, vocês nos devem os 11 próximos prêmios”.

Atriz dá pontapé inicial na fabricação do troféu de 2017

Como já é tradição em Gramado, o homenageado com o Kikito de Cristal dá o pontapé inicial na fabricação do troféu que será entregue no ano seguinte no Festival de Cinema.

Cecilia Roth, portanto, prensou a mescla de vidro com folhas de ouro dando forma à cabeça do deus do bom humor que é a marca do evento audiovisual. Foi na fábrica Cristais de Gramado, horas antes de receber ela mesma, o prêmio lá moldado em 2015 por seu conterrâneo, o diretor de cinema Fernando Solanas.

A atriz aproveitou a oportunidade para conversar com jornalistas e defender a necessidade de que a América Latina se una mais para produzir e consumir o cinema feito na parte sul do continente.

“Teremos um poder especial se nos juntamos todos para fazer cinema e para mostrar aos espectadores que podem encontrar na arte uma identificação como povo”, reivindicou.

Na sua opinião, embora as co-produções em cinema e agora também na televisão (a exemplo de sua série Supermax) sejam cada vez mais comuns, ainda há um espaço gigante a ser preenchido. “Não é fácil fazer um cinema que seja compartilhado por todos os latino-americanos. Somos muito insulares, estamos fechados em nossos países”, lamentou.

A necessidade de falar um idioma artístico comum tem a ver, também, com a História, que em muitos casos se repete nos distintos países latino-americanos, Um bom exemplo são os governos autoritários que estiveram em evidência na região entre os anos 60 e 80: foi porque a ditadura assumiu o poder na Argentina, que a família de Cecilia Roth se mudou para Madrid – onde a atriz vive até os dias atuais.

E é também um governo militar autoritário que serve de pano de fundo para seu mais recente longa-metragem, neste caso o do Uruguai. “Migas de Pan” (Migalhas de Pão), ainda inédito, retrata a história real de um grupo de prisioneiras uruguaias que estiveram ao longo de 10 anos encarceradas durante a ditadura. “O filme conta o momento em que elas revelas publicamente que, além das torturas a que foram submetidas, eram violadas cotidianamente por todo o tipo de pessoas, médicos inclusive”, explica.

Sobre cinema brasileiro, Cecilia Roth elogiou o diretor Walter Salles e observou que adoraria gravar no país, com este ou outros diretores. “Tenho mais curiosidade sobre quem não conheço, portanto, se tiverem indicações de nomes, serão muito bem-vindas”, sinalizou, em tom carinhoso.

Foto: Cleiton Thiele/Pressphoto

Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura apresentam o 44º Festival de Cinema de Gramado. Patrocínio: BNDES, Stella Artois e Petrobras, e copatrocínio do Banrisul - Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Todos pelo Rio Grande. Apoio especial: Sundance Channel e Snowland. Apoio: Caracol Chocolates, Stemac, Lojas Pompéia, More Bass, G2 Net Sul, CiaRio, O2 Produções, Canal Brasil, Revista de Cinema, RBSTV, CVC, FreeCharge e Savarauto. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine, ACCIRS, IECINE, APTC e SIAV, TVE e FM Cultura. Agência Oficial: BusTour. Ingressos: Imply. Direção Artística: Histórias Incríveis. Agente Cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento: Pró-Cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização: Gramadotur, Ministério da Cultura, Governo Federal.

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