Documentários exploram a influência e o íntimo de dois diferentes artistas

Documentários exploram a influência e o íntimo de dois diferentes artistas

O curta-metragem “Memórias da Pedra” deixou o público do Palácio dos Festivais com saudades de Glauber Rocha. Imagens potentes de um sertão parado no tempo foram retratadas na obra. “Que futuro é esse que parece que não chegou ainda?”, provocou Luciana Lemos, diretora do filme. O sertão do filme se situa nas cidades de Monte Santo e Milagres, mesmas locações de dois filmes de Glauber: “Deus e o Diabo na Terra do Sol” e “O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro”. A obra é uma reflexão sobre o tempo, cinquenta anos após os filmes terem sido apresentados pelas lentes do Cinema Novo.

Formada em Literatura pela PUC-SP, Luciana fez cursos paralelos em academias de cinema de Berlim e São Paulo. Trabalha mais diretamente como assistente de direção e continuísta, mas atualmente tem tocado projetos pessoais - este é o seu terceiro curta-metragem como diretora. Para realizar o documentário, ela conversou com todos os moradores das cidades baianas. “Eu queria realmente a memória daquelas pessoas que estavam lá [na época dos filmes de Glauber Rocha]. E o que eu constatei é que são partes de memória. São recortes”, concluiu. Ao término das gravações, “Memórias de Pedra” foi exibido em praça pública à população. “Foi uma das coisas mais emocionantes da minha vida”, disse.

Além dele, o outro curta-metragem exibido na noite de quarta-feira, 31 de agosto, também trouxe um documentário: “Lembrança do Fim dos Tempos”, um trabalho “intimista e sensível”, segundo o diretor Rafael Câmara, que acompanhou uma difícil situação vivida por um desenhista português que, ao final das filmagens, acabou se tornando um grande amigo. Jornalista de profissão, Câmara nunca exerceu o ofício. Este é seu primeiro filme.

Ao contrair catarata, Pedro de Kastro se viu num momento crucial, correndo o risco de ter que abdicar do que mais ama: desenhar. Sabendo disso, Câmara resolve contar essa história, chegando até mesmo a acompanhá-lo (e a documentar) o procedimento cirúrgico. “Ele me colocou em umas enrascadas. Até sentamos em parapeitos de prédios altos em São Paulo, porque ele tem essas questões das alturas. Ele gosta muito da mistura do tropical com as alturas. E eu pensei: ‘tudo pelo cinema, né’”, contou, às risadas.

Durante o processo de perda de visão, Câmara quis mergulhar no personagem e em seu drama de vida. “Nesse processo, ele me dizia: ‘Rafa, pense em você perdendo a capacidade de fazer aquilo que você mais gosta’”, disse.  “Lembranças do Fim dos Tempos” foi um trabalho apenas entre os dois: ninguém mais os acompanhava durante as filmagens. Saíam sozinhos pelas ruas de São Paulo gravando takes, conversando, subindo em arranha-céus. Mas a dificuldade em lidar com sua situação foi complicando-se com o passar do tempo. “Ele [Pedro de Kastro] estava com muito medo, mas muito esperançoso também”, concluiu.

Ministério da Cultura e Secretaria de Estado da Cultura apresentam o 44º Festival de Cinema de Gramado. Patrocínio: BNDES, Stella Artois e Petrobras, e copatrocínio do Banrisul - Governo do Estado do Rio Grande do Sul, Todos pelo Rio Grande. Apoio especial: Sundance Channel e Snowland. Apoio: Caracol Chocolates, Stemac, Lojas Pompéia, More Bass, G2 Net Sul, CiaRio, O2 Produções, Canal Brasil, Revista de Cinema, RBSTV, CVC, FreeCharge e Savarauto. Apoio institucional: Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul, Fundacine, ACCIRS, IECINE, APTC e SIAV, TVE e FM Cultura. Agência Oficial: BusTour. Ingressos: Imply. Direção Artística: Histórias Incríveis. Agente Cultural: AM Produções. Promoção: Prefeitura de Gramado. Financiamento: Pró-Cultura RS, Secretaria de Estado da Cultura, Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Realização: Gramadotur, Ministério da Cultura, Governo Federal.

Foto: Carlos Mossmann/Agência PressPhoto

 

Outras Notícias: