
Foto: Vera Carneiro
Com mais de 20 anos de cobertura fotográfica no Festival de Cinema de Gramado, Edison Vara relata experiências e aprendizados adquiridos com o evento
“Sempre aviso para os guris que vão comigo: o trabalho começa lá por oito horas da manhã e vai até o final da noite, principalmente no dia da premiação”. Edison Vara tem 30 anos de carreira, e 23 deles foram dedicados ao Festival de Cinema de Gramado. Agora, em 2012, mais uma vez, já está preparado para essa intensa rotina dos oito dias de programação. Entre o convívio com atores e diretores, mudança de tecnologia e amor ao que faz, o fotógrafo relata o que aprendeu ao longo desse tempo em um dos maiores festivais de cinema do País.
A primeira edição foi em 1987, quando, como ele mesmo brinca, “os fotógrafos revelavam as fotos escondidos dentro do banheiro porque não tinham espaço para fazer isso”. Esse debut de Edison Vara aconteceu quando ele ainda trabalhava para uma assessoria de imprensa. Posteriormente, cobriria o evento em veículos como Zero Hora e Correio do Povo e, hoje, com sua própria agência. Segundo ele, os desafios da época foram marcados pela ausência da facilidade tecnológica: “Era o tempo da foto em preto-e-branco, tinha que revelar, enviar para os veículos. Muito diferente de hoje, quando disponibilizamos todas as fotos rapidamente na internet”, lembra.
Também era a primeira vez que Edison participava de um festival de cinema. Os desafios eram muitos e tudo era novidade. No entanto, o fotógrafo revela que, mesmo com o passar dos anos, cobrir o evento nunca é uma tarefa simples. Por outro lado, tal rotina movimentada se reflete em aperfeiçoamento: “a tecnologia está sempre mudando, a cada Festival temos que correr atrás de muita coisa. Mas eu sempre gosto dessas mudanças porque nunca me conformo, sempre quero fazer melhor. Nunca vou chegar a Gramado e fazer algo igual”, comenta. Com mais de duas décadas de cobertura, a experiência também conta como fator fundamental para Edison, que destaca a importância de que, com o tempo e com os contatos, tudo se torna mais acessível para uma cobertura de qualidade.
Erros fazem parte do cotidiano, mas do que todo profissional gosta de lembrar é dos acertos, dos momentos marcantes que construíram sua história. Com Edison não poderia ser diferente. Ele tem como uma de suas principais recordações do Festival a passagem da atriz Eva Grimaldi por Gramado em 1988 com o filme “Monjas Pecadoras”. “Ela era polêmica pra caramba!”, aponta o fotógrafo, que resolveu tentar algo diferente com o produtor da atriz: queria mostrar o dia-a-dia dela em Gramado, não só sua passagem pelo tapete vermelho ou sua presença nas noites de exibição.
O resultado? Melhor do que o esperado: “Eu consegui entrar no quarto dela. Não imaginava que ela fosse ser tão acessível”, lembra Edison. Logo, ele conseguiu fazer esse material exclusivo com a atriz que, no final das contas, ajudou o fotógrafo não só em fotos no quarto dela, mas também pelos corredores do hotel, onde Eva desceu as escadas, subiu nos apartamentos dos hóspedes da Kodak, bebeu champanhe e ainda deitou em mesas. “E eu fiz todas essas fotos”, recorda animado, “sem falar aquelas dela saindo do hotel depois de ter bebido todas as champanhes sem querer pagar nada. Foi um momento muito legal porque todos os jornais da época divulgaram, foi até capa!”.
A equipe reunida por ele para as coberturas do Festival é composta por cinco pessoas: três repórteres fotográficos (incluindo o próprio Edison), um operador e um profissional que fica na base cuidando do site. O material produzido pela equipe é todo disponibilizado no site: “Na noite de premiação, por exemplo, atualizamos tudo dentro do próprio cinema. Na primeira levantada do Kikito, logo em seguida já temos pelo menos uma foto do vencedor com o prêmio”. Mas antes da agilidade, o fotógrafo considera a responsabilidade como elemento fundamental para uma boa cobertura fotográfica do evento. Segundo ele, o profissional precisa se atualizar, estar a par da programação, ver qual pauta rende ou não e o que pode ser feito de especial. Sem falar, claro, da missão de entregar tudo de forma mais completa. “O cara que baixa a nossa foto no site já tem todos os dados, desde o tamanho e o que a foto está mostrando: qual o ator, qual o prêmio, por qual filme…”, enfatiza.
O Festival de Cinema de Gramado, por fim, tem importância fundamental na carreira de Edison Vara. Ele revela que, nessa trajetória, aprendeu muito e que, com o aprendizado, passou a ser outro Edison – não só para as coberturas do Festival, mas também para outros trabalhos que realiza ao longo do ano. Mais do que isso, o fotógrafo revela que, antes de mais nada, é preciso gostar do que faz e de estar no evento, porque só assim se faz um trabalho bem feito, “afinal, é também uma oportunidade de colocar nosso nome na roda em veículos de todo o País, é um investimento profissional estar em um evento desse porte”.
Na 39ª edição do Festival, Edison contabilizou 970 fotos de sua cobertura publicadas somente em sites. Sua equipe, além da estrutura de transmissão de fotos para a internet, resulta, assim, em um completo serviço de fotografia da assessoria de imprensa do Festival. E, chegando aos 40 anos, Edison não esconde a importância do evento em sua trajetória: “É a minha carreira. São 23 anos cobrindo entre assessoria, jornal, etc. E eu tenho 30 anos de profissão! Gosto mesmo de fazer o Festival, é muito significativo para mim. Não só para mim, mas para as várias pessoas que estão lá todos esses anos. Todos nós ajudamos a construir um pouquinho dessa história!”.



























