5 julho

    Celebração e recomeço

    Author: pronexo | Filed under: Sem categoria

    Foto: Edison Vara/Pressphoto

    O crítico de cinema Rubens Ewald Filho integra a nova curadoria do Festival de Cinema de Gramado. Para ele, a próxima edição marca a grandiosidade do evento e o começo de uma mudança na postura da seleção de filmes.

    Não é a primeira vez que ele é curador de um Festival de Cinema. E muito menos a primeira vez que participa do Festival de Cinema de Gramado. Em mais de 40 anos de profissão, Rubens Ewald Filho já foi, por muitas vezes, responsável pela curadoria de festivais em diversas cidades como Santos, São Vicente, Goiânia e Anápolis. Recentemente, aceitou o convite para assumir essa responsabilidade mais uma vez – agora no aniversário de 40 anos do Festival de Gramado – e mostra o seu entusiasmo: “Foi uma surpresa e uma alegria! Depois de uma ausência de alguns anos, estive no Festival do ano passado e fui muito bem recebido. Mas não esperava o convite”.

    A trajetória de Rubens no universo cinematográfico é longa: foi um dos pioneiros da imprensa brasileira a escrever sobre filmes e o primeiro crítico a trabalhar em uma televisão por assinatura. Também já foi ator e roteirista, além de ser conhecido como o Homem do Oscar por ter comentado 27 edições do prêmio mais importante do cinema mundial. Atualmente, Rubens ainda comenta a tramissão Globo de Ouro e Screen Actor Guild Awards pela TNT e é comentarista do portal R7, do Grupo Record e da revista Monet. Toda essa experiência está à serviço da nova curadoria, integrada também pelo ator José Wilker e pelo jornalista Marcos Santuário.

    Rubens, por sinal, aprovou a escolha de seus companheiros, destacando a importância da adaptação: “Com certeza será necessário algum tempo para consolidar uma nova postura, um novo tipo de Festival. Não se faz nada da noite para o dia, usando as antigas regras”. A relação com os colegas de curadoria é tranquila, segundo ele, uma vez que Wilker é seu colega de longa data e Santuário foi parceiro na edição passada do Festival de Gramado. “Trabalhei muito tempo com o Wilker no Telecine e viajávamos sempre para Cannes, então já tínhamos intimidade e muito em comum. Ele é divertido e inteligente. Já o Santuário, por coincidência ou não, foi a pessoa de quem mais me aproximei em Gramado no ano passado”, comenta.

    A nova curadoria representa para Rubens o início de uma nova etapa para o Festival, representando o primeiro passo de uma nova postura que precisa ser adotada. Para ele, uma ideia é fazer contatos com produtores desde o início do ano, principalmente na América Latina, já sondando possíveis inscrições. “A curadoria trabalha com uma lista de inscritos, mas não pode ser apenas ‘venha a nós o vosso reino’. O ideal seria, no futuro, também fazer convites até mesmo para filmes que entraram em produção. Ou seja, como em Cannes! Sem, obviamente, cortar a inscrição e seleção do filme pronto”. Quanto ao critério de seleção, Rubens não faz distinção. “Filme bom é filme bom”, enfatiza, “não importa a proposta”.

    O curador acredita que o Festival de Cinema de Gramado mantém todas as circunstâncias que o tornaram grande. Segundo ele, o evento tem a seu favor a própria cidade, que é bonita e está “numa região turística privilegiada”, com “gente muito simpática”. A resistência do Festival também é mencionada: “Sua sobrevivência neste país onde nada dura muito tempo é um feito notável, tanto que é reconhecido em todo o Brasil”. Rubens ainda lembra que, nos últimos anos, a safra nacional heterogênea foi muito difícil de avaliar e que o Festival ainda foi vítima de um certo preconceito da imprensa em relação aos filmes comerciais. Entretanto, o curador demonstra otimismo nesses 40 anos do Festival: “Que seja o começo de uma nova fase: a celebração de um passado glorioso e o começo de algo promissor”.