Festival de Gramado completa 40 anos de muita história

    Em quatro décadas, o Festival de Cinema de gramado – o segundo mais antigo do Brasil – foi palco de momentos significativos para a história e afirmação da arte cinematográfica no país. Gramado passou a fazer parte do cenário do cinema nacional em janeiro de 1973, quando o Festival Brasileiro de Gramado foi oficializado pelo Instituto Nacional de Cinema. A primeira edição surgiu da união da Prefeitura Municipal de Gramado com a Companhia Jornalística Caldas Júnior, a Embrafilme, a Fundação Nacional de Arte e as secretarias de Turismo e Educação e Cultura do Estado.

    O primeiro Festival do Cinema Brasileiro de Gramado aconteceu de 10 a 14 de janeiro de 1973. A disputa pelo Kikito, o “Deus da Alegria”, cuja estatueta foi criada por Elizabeth Rosenfeld, grande incentivadora do artesanato gramadense, passou a animar debates, criar polêmicas e transformar a criação cinematográfica nacional no único assunto de artistas, realizadores, estudiosos de cinema, imprensa e público em geral.

    Na primeira edição, foram distribuídos apenas cinco Kikitos. O prêmio de melhor filme foi para “Toda Nudez Será Castigada”, de Arnaldo Jabor, enquanto Carlos Kroeber foi eleito o melhor ator por “A Casa Assassinada”, e Darlene Glória foi consagrada como melhor atriz por “Toda Nudez Será Castigada”. Os prêmios especiais ficaram com Antônio Carlos Jobim, pela música de “A Casa Assassinada”, e André Faria, pela fotografia de “Roleta Russa”. As primeiras edições do Festival, realizadas no verão, foram marcadas por sensacionalismo, nudez e a crise de estrelas que buscavam fama e reconhecimento na serra gaúcha.

    Com a chegada dos anos 80 e o aprimoramento das discussões sobre arte e cultura nos espaços do Festival, o evento conquistou o título de um dos maiores dentro do gênero no País. Mais do que isso, sedimentou-se como um espaço indispensável para divulgação, discussão, crítica e incentivo à criação cinematográfica nacional. Além de aproximar o cinema brasileiro e a imprensa do país, também aproximou-os do cinema latino-americano promovendo mostras fora de concurso e mostras informativas que traziam títulos da Argentina, Peru, México, Venezuela, Colômbia e Cuba.

    No início dos anos 90, com a posse do governo de Fernando Collor, o Brasil presenciou um processo de quase extinção da cinematografia nacional. O Festival de Gramado, para sobreviver, tornou-se, então, internacional. Por isso a vigésima edição já foi de cinema ibero-americano. Realizado entre 15 e 22 de agosto de 1992, teve filmes da Venezuela, Peru, México, Portugal, Brasil, Argentina, Chile, Espanha, Cuba e Colômbia (vencedor do Kikito de melhor filme com “Técnicas de Duelo”, de Sergio Cabrera. Participaram igualmente da vigésima edição curtas-metragens brasileiros em 35 e 16mm. A repercussão foi ótima, coincidindo com a criação do Mercosul e a busca de uma aproximação mais eficiente do Brasil com os “hermanos” latinos.

    A nova fórmula do Festival de Gramado, inédita no Brasil, foi aprovada dando novo significado ao evento, agora com sua data fixada sempre na primeira quinzena de agosto. O Festival começou no verão, mas Gramado tem o seu ápice turístico nos meses frios. Assim, o Festival tornou-se uma atração a mais no inverno do Rio Grande do Sul, o mais “europeu” dos estados brasileiros graças ao grande fluxo de imigrantes alemães e italianos que marcaram, desde o século passado, a cultura e os costumes da região.

    Na safra mais recente do Festival, bons filmes nacionais e estrangeiros têm feito suas estreias em Gramado: “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele foi exibido no Festival em 2008, assim como “Juventude”, de Domingos de Oliveira.  ”O Banheiro do Papa”, de Enrique Fernández e César Charlone, não foi premiado na categoria principal em 2007, mas César Troncoso e Virginia Méndez foram consagrados por suas interpretações.

    Em 2002, com uma grande festa em homenagem aos 30 anos ininterruptos do Festival de Gramado, “Durval Discos” foi o grande vencedor na categoria longa-metragem brasileiro. “La Perdicion de los Hombres” (México/Espanha) e “O Filho da Noiva” (Argentina/Espanha) dividiram os principais prêmios da competição latina. Nesta edição, o Festival abre espaço para os documentários, que passam a ser valorizados pelo evento.

    Já na edição de 2011, o grande vencedor da seleção nacional foi “Uma Longa Viagem”, de Lúcia Murat, que arrebatou prêmios do júri oficial e popular. Entre os latinos, a atenção ficou dividida entre o argentino “Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual”, de Gustavo Taretto, e o mexicamo “A Tiro de Piedra”, de Sebastian Hiriart. Outros destaques foram os filmes de abertura e encerramento: “O Palhaço”, de Selton Mello, e “Sudoeste”, de Eduardo Nunes, respectivamente.